segunda-feira, 6 de outubro de 2008

ARTETERAPIA Pintando para a liberdade

ZERO HORA. 06 de setembro de 2008

Oficinas supervisionadas por arteterapeutas estimulam a sociabilidade e resgatam a auto-estima de pacientes com transtornos psiquiátricos graves
Os maus resultados e o isolamento na escola eram um sinal de que Gilson de Oliveira Treméa, 36 anos, era diferente das outras crianças. Na juventude, a agressividade repentina insistia em provar que essa diferença era maior do que a família podia supor e com a qual o menino podia lidar. Enquanto médicos erravam o diagnóstico, o jovem abandonou os estudos, teve de deixar um emprego, depois, outro, e viu os amigos se afastarem.
A esquizofrenia esvaziou a agenda de Gilson.
Depois de cerca de cinco anos de investigação médica e mais de R$ 9 mil gastos em remédios e consultas particulares, finalmente a doença foi detectada. Há mais de três anos, o paciente foi encaminhado, por um médico da rede municipal de Alvorada, a oficinas de arteterapia em Porto Alegre. Desde então, as aulas nas quartas e quintas-feiras passaram a ocupar a semana inteira de Gilson.
Quando não está no Projeto Vivendo e Reaprendendo, do Centro de Prevenção e Intervenção em Psicoses (CPIP), no bairro Rio Branco, na Capital, está em casa contando ao pai e aos vizinhos sobre os eventos realizados na entidade ou sobre suas produções no encontro anterior.
– Esse projeto é uma beleza. Ele ficou mais calmo, controlado, e voltou a falar com as pessoas, porque antes não era muito conversador – comemora o pai, o aposentado Victório Angelo Treméa
Com o Ensino Médio incompleto, um emprego de ascensorista e um curso de bateria para automóveis no currículo, Gilson jamais tivera contato com as artes plásticas antes do projeto. Descobriu o gosto pela pintura – e o talento – nas aulas supervisionadas pela psiquiatra Sandra Maria Soares, presidente fundadora do CPIP.
Na entidade onde cerca de 15 voluntários trabalham para atender 30 pacientes, ele ganhou, além de uma nova rotina, novos amigos, e recuperou a auto-estima. Os ônibus que têm de pegar para chegar ao Centro e o horário a cumprir dão a Gilson a autonomia e a responsabilidade necessárias nos afazeres da casa onde mora sozinho, próxima à do pai, em Alvorada. Mas as atividades do projeto lhe devolveram muito mais do que essa independência.
– Com a doença, ele acaba ficando fora da vida social. Não tem namorada, não estuda, não trabalha, isso tudo que preenche nossa vida e é tão gostoso. De certa forma, o projeto devolveu a pulsão da vida ao meu irmão – conta a psicopedagoga Gisele Treméa Vargas, 43 anos.
Ele conta que gosta do ambiente tranqüilo do CPIP, “onde ninguém o incomoda”, e, ao mesmo tempo, adora conversar com os voluntários e colegas. Nos recessos de inverno e verão, tem saudade das aulas e preenche o tempo com partidas de canastra, filmes aos quais assiste em casa e responsabilidades passadas pelo pai, como pagar contas no banco ou ir ao supermercado.
Ao falar sobre a evolução no quadro clínico dos doentes, Sandra abre um sorriso e conta a história de outra paciente do Sistema Único de Saúde, Maria Jurema Martins Teixeira, 48 anos. Portadora de transtorno do humor, ela começou no projeto há três anos, apresentando um quadro de depressão gravíssimo que a levou à tentativa de suicídio.
– Pagamos um curso para que ela aprendesse a mexer na máquina de costura. Depois, outro para aprender o corte. Começou com a ajuda das voluntárias e hoje produz sozinha, em casa, bolsas de tecido – conta Sandra.
Nos bazares dos quais a ONG participa, Maria fica responsável pela banca das bolsas e voltou a trabalhar na loja da irmã como vendedora, profissão que tinha antes de a doença surgir.
Multimídia
Gilson Treméa, 36 anos, diagnosticado como esquizofrênico depois de cinco anos de peregrinação por consultórios médicos, freqüenta oficina de pintura duas vezes por semana


06 de setembro de 2008
ARTETERAPIA
Estar doente não é pré-requisito
Complementares e numerosos no tratamento dos doentes mentais, os benefícios da arteterapia se estendem às pessoas sãs. Por meio de desenhos ou expressões corporais, os pacientes falam de si, o que fornece informações ao médico e ao próprio paciente. Para casos menos graves, como estresse ou certos níveis de depressão, as sessões podem ser o tratamento principal, dependendo da formação do arteterapeuta.
Tão importante quanto os frutos dessas oficinas, como aumento da auto-estima e reinserção social, é o próprio processo criativo. Ele é o sinal de um cérebro saudável.
– Qualquer atividade criativa desenvolve novas áreas neuronais e pode estimular aquelas lesionadas – explica a arteterapeuta Marilice Costi, (AATERGS 072/0808) que dá aulas em Porto Alegre.
Cada vez mais, pessoas procuram por conta própria as sessões de arteterapia, sem encaminhamento médico, em busca de qualidade de vida, uma conseqüência do autoconhecimento proporcionado pelas aulas. A presidente da Associação Brasileira de Arteterapia, Joya Eliezer, atribui essa difusão da técnica ao ritmo acelerado da vida moderna. O próprio termo, para Joya, é um chamariz. São poucas as pessoas que não gostam de trabalhar com as artes, afirma.
Não é necessário ter habilidade ou experiência na técnica. O importante, observa Marilice, é a liberdade de expressão, sem rigor estético. Do teatro à escrita, existem diversas linguagens com enfoque terapêutico.
No Brasil, as artes plásticas são as mais difundidas, mas, recentemente, novidades como a biblioterapia – que estimula a leitura e a escrita – estão ganhando espaço no tratamento. Para Joya, não existe uma oficina certa para cada tipo de doença, depende do gosto e da habilidade do paciente. Por isso, ela defende que o arteterapeuta tenha formação múltipla.
A arteterapeuta e doutora em psicologia clínica explica que a diferença entre uma aula de dança ou pintura para as oficinas de arteterapia está na formação do profissional:
– O oficineiro não faz o gancho de tudo aquilo que o aluno expressa nas aulas com a sua vida, como faz o arteterapeuta.
Nos casos em que as oficinas são complementares ao tratamento medicamentoso, a arteterapeuta Maria Helena Piccinini,(AATERGS 022/0505) dona de um ateliê e voluntária no Projeto Vivendo e Reaprendendo, do Centro de Prevenção e Intervenção em Psicoses, chama a atenção para a necessidade de haver diálogo com o médico ou psicólogo que encaminha o paciente para as oficinas. Essa troca vem sendo exitosa em escolas de São Paulo, com o enfoque na prevenção de problemas que, muitas vezes, passam despercebidos aos professores.
Na Capital, a arteterapeuta Maria Helena também percebe crescimento no número de pessoas sadias e de todas as idades na descoberta da técnica. Ela defende a arteterapia em um contexto no qual as palavras não dão conta das manifestações emocionais.
– As sessões permitem o conhecimento de si e dos outros, elevam a auto-estima, permitem lidar com experiências traumáticas, e, acima de tudo, desfrutar do prazer vitalizador do fazer artístico. Sessões de arteterapia estimulam o autoconhecimento e não requerem a indicação de um médico
06 de setembro de 2008
CAPA
Criatividade que cura
Arteterapia complementa o tratamento em casos de transtornos de humor e doenças mentais e alivia os sintomas de quem sofre com o estresse
No palhaço sem braços feito de cerâmica, uma paciente esquizofrênica expressa o medo de se tornar incapaz. Na gruta disforme, a referência à relação com o pai, que pagaria uma promessa pela saúde da filha. Mensagens jamais ditas no consultório surgem em oficinas artísticas, fato cada vez mais comum no tratamento de doentes mentais. Conhecida como arteterapia, essa abordagem abre um novo canal de comunicação entre médico e paciente e complementa o tratamento de quem tem de lidar com disfunções psiquiátricas para o resto da vida.
De acordo com o psiquiatra Marcelo Borges Leite, não existiria uma pré-disposição para a arte nos doentes mentais, mas são raros os pacientes que não se adaptam a atividades lúdicas. Professor de psiquiatria da UFRGS, Flávio Kapczinski afirma que atividades artísticas são freqüentemente alimentadas em momentos de estresse emocional:.– Quem está em sofrimento mental tem uma propensão à criatividade. Temos evidências de que, nesses períodos, há formação de novas memórias. Os pacientes têm o desejo de colocar no papel o que estão sentindo – ressalta.
Aulas de pintura, costura ou música, coordenadas por arteterapeutas, podem ajudar desde estressados até quem sofre de transtornos psiquiátricos graves. Nesses casos, a arteterapia ajuda a distinguir o real do imaginário.
– Ao focar em uma atividade prática, os pacientes aprendem o que é a sua realidade. Podem continuar tendo alucinações, mas saberão que aquilo não faz parte do mundo real – explica a psiquiatra Sandra Soares.
O estímulo deve ser constante, criando uma rotina. O Projeto Vivendo e Reaprendendo, do Centro de Prevenção e Intervenção em Psicoses, na Capital, do qual Sandra é presidente, só recebe pacientes com transtornos de humor e esquizofrenia, que normalmente surgem na vida adulta e não têm cura.
– Essas pessoas perdem aquilo que nós, sãos, fazemos no piloto automático, como levantar, escovar os dentes e sair para trabalhar – cita.
Outro aspecto recuperado nas oficinas é a capacidade de se relacionar socialmente. Em grupo, os pacientes tomam consciência de sua condição a partir da experiência do outro. Há nove anos no trabalho com a arteterapia, Sandra conta que quem já era habilidoso em alguma área antes da doença não perde o dom, mas quem não era artista pode descobrir em si algo que nunca fora estimulado.
Os resultados se refletem em telas coloridas e no sorriso de quem recupera a auto-estima.
marcela.donini@zerohora.com.br
MARCELA DONINI

06 de setembro de 2008
ARTETERAPIA Estar doente não é pré-requisito
Complementares e numerosos no tratamento dos doentes mentais, os benefícios da arteterapia se estendem às pessoas sãs. Por meio de desenhos ou expressões corporais, os pacientes falam de si, o que fornece informações ao médico e ao próprio paciente. Para casos menos graves, como estresse ou certos níveis de depressão, as sessões podem ser o tratamento principal, dependendo da formação do arteterapeuta.
Tão importante quanto os frutos dessas oficinas, como aumento da auto-estima e reinserção social, é o próprio processo criativo. Ele é o sinal de um cérebro saudável.
– Qualquer atividade criativa desenvolve novas áreas neuronais e pode estimular aquelas lesionadas – explica a arteterapeuta Marilice Costi, que dá aulas em Porto Alegre.
Cada vez mais, pessoas procuram por conta própria as sessões de arteterapia, sem encaminhamento médico, em busca de qualidade de vida, uma conseqüência do autoconhecimento proporcionado pelas aulas. A presidente da Associação Brasileira de Arteterapia, Joya Eliezer, atribui essa difusão da técnica ao ritmo acelerado da vida moderna. O próprio termo, para Joya, é um chamariz. São poucas as pessoas que não gostam de trabalhar com as artes, afirma.
Não é necessário ter habilidade ou experiência na técnica. O importante, observa Marilice, (AATERGS 072/0808) é a liberdade de expressão, sem rigor estético. Do teatro à escrita, existem diversas linguagens com enfoque terapêutico.
No Brasil, as artes plásticas são as mais difundidas, mas, recentemente, novidades como a biblioterapia – que estimula a leitura e a escrita – estão ganhando espaço no tratamento. Para Joya, não existe uma oficina certa para cada tipo de doença, depende do gosto e da habilidade do paciente. Por isso, ela defende que o arteterapeuta tenha formação múltipla.
A arteterapeuta e doutora em psicologia clínica explica que a diferença entre uma aula de dança ou pintura para as oficinas de arteterapia está na formação do profissional:
– O oficineiro não faz o gancho de tudo aquilo que o aluno expressa nas aulas com a sua vida, como faz o arteterapeuta.
Nos casos em que as oficinas são complementares ao tratamento medicamentoso, a arteterapeuta Maria Helena Piccinini, (AATERGS 022/0505) dona de um ateliê e voluntária no Projeto Vivendo e Reaprendendo, do Centro de Prevenção e Intervenção em Psicoses, chama a atenção para a necessidade de haver diálogo com o médico ou psicólogo que encaminha o paciente para as oficinas. Essa troca vem sendo exitosa em escolas de São Paulo, com o enfoque na prevenção de problemas que, muitas vezes, passam despercebidos aos professores.
Na Capital, a arteterapeuta Maria Helena também percebe crescimento no número de pessoas sadias e de todas as idades na descoberta da técnica. Ela defende a arteterapia em um contexto no qual as palavras não dão conta das manifestações emocionais.
– As sessões permitem o conhecimento de si e dos outros, elevam a auto-estima, permitem lidar com experiências traumáticas, e, acima de tudo, desfrutar do prazer vitalizador do fazer artístico. Sessões de arteterapia estimulam o autoconhecimento e não requerem a indicação de um médico.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Ciclos que se renovam. Exercício de criatividade e superação


depoimento do ultimo encontro de arteterapia do I Ciclo...

publicado no blog da http://www.clicrbs.com.br

Quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Ciclos que se renovam
Exercício de criatividade e superação

Foto: Divulgação AATERGS
Tive o privilégio de participar, nesta quarta-feira,- de uma oficina sobre Arteterapia, integrante do I Ciclo de Arteterapia de 2007. Busquei o desafio como uma forma de buscar um novo final de ano, sem correria e mais feliz.
Foi a escolha certa, uma oficina que deixou a nós todos mais inteiros, mais criativos, mais preparados e inteiros para o novo ciclo.
Nossa tarefa com a arteterapeuta Angélica Shigihara era de confeccionar uma caixa, que pudesse conter alguma coisa. Com cola, papelão, linhas, glitter, agulhas, tínhamos que idealizar uma caixa ou outro produto e a partir daí utilizar materiais e perceber as dificuldades, o que se faz para contornar. E isso nos mostra como a vida é na prática, com obstáculos, com dificuldades que não esperávamos, que desafia nossa criatividade, e por aí vai. Num momento em que se fala tanto em fechar ciclos e iniciar novas etapas, achei que a oficina tem tudo a ver. Uma forma rica de trabalhar os sentimentos, as emoções, as dificuldades individuais e perceber que não se é uma ilha. Como dizemos “caiu a ficha.”
Eu recomendo:aatergs@hotmail.com. Endereço: rua Casemiro de Abreu 662, próximo à Goethe.
Postado por Nelcira Nascimento,Poa às 17h44
http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&pg=1&template=3948.dwt&tp=§ion=Blogs&blog=137&tipo=1&coldir=1&topo=3994.dwt

terça-feira, 26 de junho de 2007

Arte como caminho para a saúde e o bem-estar

Entre as primeiras formas de expressão do homem estão o canto, a dança, o desenho, a pintura, a escultura, a representação e a escrita, que transmitem sentimentos relacionados ao estado espiritual em que se encontra o autor. A arte terapia surge resgatando essas ações humanas, com o objetivo de favorecer o processo terapêutico. Segundo a Presidente da Associação de Arte Terapia do Rio Grande do Sul, Angélica Shigihara Lima, esse trabalho pode ser extremamente benéfico. "Por meio de técnicas, materiais artísticos e auxílio de um profissional preparado, o indivíduo se coloca em contato com conteúdos internos e muitas vezes inconscientes. Dessa forma, acaba expressando, na arte, sentimentos e atitudes até então desconhecidos", afirma.
As atividades ligadas à arte terapia estimulam a desinibição, o autoconhecimento e a criatividade, levando os participantes a uma sensação de integração com o mundo, facilitando a resolução de conflitos pessoais, a melhoria do relacionamento social e o desenvolvimento da personalidade. Angélica destaca ainda que, no contexto empresarial, a arte terapia tem resultados imediatos. "O trabalho pode ser desenvolvido tanto de maneira individual quanto em grupo. Um melhor relacionamento dentro do ambiente de trabalho se reflete sempre em bons resultados", explica.
Angélica ressalta que todo tipo de expressão artística, por mais que não seja feita como Arte Terapia, traz como conseqüência o bem-estar e a saúde mental das pessoas. "Acredito que toda expressão artística possa agregar qualidade à vida das pessoas. É muito válido ter a arte presente no dia-a-dia, pois ela proporciona uma melhora na auto-estima e faz com que o praticante fique mais feliz e bem disposto", conclui.
O Arte Sesc - Cultura por toda parte, além de proporcionar exposições de arte em todo o Rio Grande do Sul, promove diversas oficinas voltadas para o desenvolvimento de atividades artísticas. De acordo com a definição de Angélica, dessa forma, o Sesc proporciona arte como terapia. Na programação, destacam-se as Oficinas de Música do Sesc, que oferecem cursos de técnica vocal, teclado e musicalização infantil e infanto-juvenil. Para os idosos, o Sesc promove a Oficina de Teatro para a Terceira Idade, que tem como finalidade estimular a criatividade e aguçar as habilidades artísticas via exercício teatral.
Serviços:
Assessoria de Imprensa Sesc/RS (51) 3061.0952 / fabrika@fabrikadenoticias.com.br
Assessoria de Comunicação Sesc/RS (51) 3284.1998 / informativo@sesc-rs.com.br
"Todo o conteúdo da Agência de Notícias Fecomércio/RS pode ser reproduzido sem restrição"
http://www.agencia.fecomercio-rs.org.br/fecomercio/anf/print.asp?ID=5565
26 de junho de 2007

quinta-feira, 2 de outubro de 2003

Artesanato coletivo

02 de setembro de 2003
Técnicas reunidas no livro Faça Você Mesmo servem de inspiração para grupo de amigas da Capital
Em volta da mesa de uma cozinha da zona norte de Porto Alegre, cinco mulheres de idades entre 13 e 67 anos praticam técnicas manuais. Quem pensa que as cinco estão ali porque precisam está enganado. A diversão delas é mexer com cola, linha, agulha, tecido, papel e tudo que possa se transformar em arte, até mesmo lixo. Na casa da socióloga aposentada Ivette Volkmann Custódio, (AATERGS 011/0603) elas se reúnem para trocar experiências e, quando a tarde termina, cada uma construiu uma obra de arte permeada pela histórias de cada mulher. Inspiradas nas técnicas publicadas no livro Faça Você Mesmo - 50 Trabalhos Artesanais, lançado em agosto pela RBS Publicações, elas desenvolvem seus trabalhos.
Para Ivette, a anfitriã, as técnicas começaram como distração, mas hoje significam fonte de renda e uma forma de terapia. Ela produz e vende sacolas com sobras de materiais e transforma simples sacos de papelão em embalagens de luxo personalizadas - Ivette já produziu mais de 11 mil sacolas únicas, não faz nenhuma igual a outra. Hoje, ela vende suas obras com exclusividade para uma loja da Capital. Dentro do modo em que baseia suas criações, Ivette sente-se livre para aplicar técnicas inspiradas nas dicas dos passo-a-passos do caderno-revista.
- Muitas técnicas reunidas no livro, como o fuxico, o mosaico e as embalagens para presente estão nos meus trabalhos - conta Ivette.
Tendo em mente os benefícios da arte- terapia, Ivete gosta de chamar as amigas para conversar e trabalhar nas obras. As "alunas" são a socióloga Mara Rubia de Mello, a aposentada Predislava Werenicz, a líder comunitária Tomasia Rusniak dos Santos e a filha, a estudante Viviane Santos da Silva, 13 anos. Enquanto Ivette coordena os trabalhos e Predislava conta as histórias de quando chegou ao país vinda da Rússia a bordo do navio onde aprendeu a engatinhar, vão tecendo-se as obras. Sindicalista e feminista assumida, a personalidade de Ivette pode parecer conflitante: a figura doce aliada ao gosto pelos trabalhos manuais à primeira vista não combina com a imagem de uma socióloga combativa. Mas Ivette faz questão de logo desfazer a confusão:
- As pessoas têm a idéia de que o trabalho manual é uma continuação do trabalho doméstico e não é nada disso. Mais que uma forma de terapia, a arte é a minha cachaça - declara.
LAURA COUTINHO